
Entre os réus está Mohamadou Lamine Fofana, considerado o chefe da quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos. De acordo com o juiz, Raymond Whelan, executivo de uma empresa ligada à Fifa, a Match Services, havia sido incluído na denúncia do Ministério Público, mas as acusações contra ele foram arquivadaspela 6ª Câmara Criminal em 2014. O Ministério Público já adiantou que vai recorrer da decisão, de acordo com a Globonews.
Além deles, foram denunciados Alexandre da Silva Borges, o "Xandy"; Antonio Henrique de Paula Jorge, “Pará”, “Patrão” ou “Jogador”; Marcelo Pavão da Costa Carvalho, o “Caju”; Sergio Antonio de Lima, o “Serginho"; Julio Soares da Costa Filho; Fernanda Carrione Paulucci; Ernani Alves da Rocha Junior, o "Junior"; Alexandre Marino Vieira; Ozeas do Nascimento e José Massih. Todos vão responder por cambismo, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa.
Ao todo, 12 pessoas foram presas na operação da Polícia Civil, batizada de "Jules Rimet". Destes, apenas o CEO da Match, única empresa autorizada a vender ingressos para a Copa, está em liberdade, graças a um habeas corpus.
“Consta dos autos que a organização criminosa foi constituída para reiteradamente, desviar, fornecer e facilitar à distribuição a terceiros, ingressos de evento esportivo (Copa do Mundo de 2014), para venda por preço superior ao estampado no bilhete, cujas penas variam de 02 (dois) a 04 (quatro) anos de reclusão e multa”, diz um trecho da decisão. Em outro trecho, o juiz afirma que o grupo chegava a vender um único ingresso por R$ 25 mil.
Os acusados conseguiam ingressos através da Sociedade Empresária Match Ser-vices AG e Match Hospitality, jogadores de futebol ou seus agentes de seleções participantes do evento esportivo, que têm uma cota preestabelecida pela entidade responsável pela organização do evento. De acordo com a decisão, a Confederação Brasileira de Futebol possuía alguém de dentro da entidade que também desviava as entradas-. Foram desviados também ingressos do fundo Governamental destinado a ONGs e escolas.
Os encontros aconteciam nos hotéis Copacabana Palace e o Radisson da Barra da Tijuca. Durante o processo, foi possível constatar mais de 900 ligações telefônicas entre Whelan e Fofana, com inúmeras vendas 'por debaixo dos panos' de pacotes de hospitalidade e bilhetes VIP's, através de pagamento à vista e em dólar. Foi comprovado, através de escutas, que numa única venda o acusado faturou U$ 600 mil, o equivalente a R$1,4 milhões.
O esquema
No dia 1º de julho de 2014, policiais da 18ª Delegacia de Polícia, da Praça da Bandeira, prenderam 12 pessoas na operação "Jules Rimet". Raymond Whelan chegou a ser solto, ,as voltou a ser preso por cerca de um mês, atédeixar a cadeia novamente após liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Marco Aurélio Mello argumentou que o inglês não deveria ficar preso antes do julgamento.
Investigação
Com a listagem de celulares da Fifa em mãos, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lamíne Fofana o prefixo 96201, que precede os telefones da entidade. Apareceu, então, o nome "Ray Brazil", para o qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens. Ao todo, a operação está lendo e escutando 50 mil registros telefônicos, dos quais mais de 50% já foram apurados.
Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela polícia, faziam contato com agências de turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.
Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão técnica da Seleção Brasileira – desde bilhetes de camarotes até entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracanã chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milhão por jogo.
Segundo a polícia, Fofana também conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. Até carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura à final do torneio.
Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso, os presos já atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Copa do Mundo.
As investigações tiveram início um mês antes da Copa. A ação da polícia contou com interceptação telefônica, ação controlada e filmagens da venda dos bilhetes e desarticulação de três agências de turismo.
G1
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